3° Simpósio Iberoamericano de História da Cartografia

Universidade de São Paulo / 26 a 30 de abril de 2010

Memórias do evento

 

(Registro em trámite)

Índice

Airton José Cavenaghi Nossa herança imperceptível: uma análise historiográfica da obra Collectanea de mappas de cartographia paulista antiga, organizada por Afonso de E. Taunay, em 1922
Aldo Gonçalves de Oliveira & Maria Adailza Marins de Albuquerque A cartografia escolar no Brasil: origens históricas e debates metodológicos
Ana Cristina Campos Rodrigues O mundo em mudança: a cartografia renascentista no acervo da Biblioteca Nacional
Antônio Gilberto Costa & Márcia Maria Duarte dos Santos A cartografia histórica e a história da cartografia da América portuguesa e do Brasil Império: um projeto de difusão do CRCH-UFMG
Artur Henrique Franco Barcelos Expedições Jesuíticas e cartografia americana: séculos XVII e XVIII
Augusto da Silva Santa Catarina: dimensões de uma unidade colonial (1738-1821)
Caio Figueiredo Fernandes Adan Colonial comarca dos ilhéus (1763-1808): representações cartográficas como táticas de intervenção territorial em zona de fronteira
Caio Graco Valle Cobério Omnia fer taetas – O tempo tudo traz: a mostragem de cartografia histórica como propedêutica do conhecimento em alguns exemplares da historiografia brasileira
Carla Lois Quinta Pars o Terrae Incognitae? La cuestión de la verosimilitud en la representación cartográfica de lo desconocido
Carlos Eduardo Rovaron Cartografia, Sesmarias, tributos e poder na região da caldeira vulcânica de Poços de Caldas-MG – séc. XVIII-XIX
Cláudia Damasceno Fonseca Retóricas cartográficas: as vilas e seus territórios nas Minas setecentistas
Clovis Ramiro Jucá Neto Desenhando o Ceará
Daniela Marzola Fialho A Planta de Porto Alegre de 1839: o mapa de uma cidade sitiada
David Alejandro Ramírez Palacios «Eliseo Reclus y la geografía de Colombia»: blog de la investigación
Eduardo Dutenkefer Anamorfose como mapa: história, aplicativos e aplicações
Efraín Sánchez Cabra Agustín Codazzi y los primeros mapas nacionales de Colombia y Venezuela
Enali Maria De Biaggi Tradições cartográficas e fixação de fronteiras na independência brasileira: os mapas como um meio de delimitar o território
Dr.Dr. Fivos Papadimitriou Neo-Geografias, Notopia, Mapas Culturais
e GIS da Próxima Geração
Francisco Roque de Oliveira História da cartografia brasileira e mapoteconomia segundo Jaime Cortesão: o curso do Itamaraty de 1944
Francismar Alex Lopes de Carvalho Planejamento urbano, expansão colonial e relações de poder: planos de povoações nas fronteiras dos impérios ibéricos na América: vales dos rios Guaporé e Paraguai (ca. 1750-1800)
Isaac D. Sáenz El damero en discusión: prácticas espaciales y cartografía urbana en Lima Tardo Virreinal
Jean-Marc Besse Philologie et cartographie au XVIe siècle : la critique de l ’histoire dans le Parergon et le Thesaurus geographicus d’Abraham Ortelius
João Vitor Meza Bravo & Fernando Luiz de Paula Santil Coerência Cartográfica de um mapa analógico: estudo da carta portulana de paranaguá-cananéia de 1666
Jorge Macle Cruz El eco de cartas y mapas en los caminos de la memoria
Jorge Pimentel Cintra A Cartografia digital como ferramenta para a Cartografia histórica
José Omar Moncada Maya & Irma Escamilla Herrera La representación de México en atlas y libros de texto del siglo XIX. Hacia una construcción de la identidad
Kênia Gonçalves Costa & Alex Ratts História e memória das representações cartográficas indígenas da terra indígena Karajá-Xambioá-Tocantins
Leonardo Franklin de Carvalho e José Flavio Morais Castro Resgate de mapas históricos da capitania de Minas Gerais em ambiente SIG
Magali Gomes Nogueira Astros e rumos no atlas catalão. Uma reflexão sobre o saber no século XIV
Malena Mazzitelli Mastricchio La transcripción cartográfica: el uso de vistas y fotos en el trabajo de los topógrafos de la Dirección de Minas, Geología e Hidrología de la República Argentina en la primera mitad del siglo XX
Marcello Martinelli Um breve apanhado sobre a breve história da cartografia temática
Marcelo Miyahiro Charles Perron e a Cartografia do Brasil na Nouvelle Géographie Universelle
Maria de Fátima Costa Rios amazônicos em registros de demarcadores e naturalistas
Maria do Carmo Andrade Gomes A exposição nacional de mapas municipais, 1940:
a encenação nacionalista da imagem cartográfica
Maria Dulce de Faria O acervo cartográfico da Coleção Benedito Ottoni na Biblioteca Nacional
Maria Fernanda Derntl A terra figurada: a cartografia na implantação de núcleos urbanos na capitania de São Paulo, 1765-1775
Maria Gabriela de Almeida Bernardino Cartografia na Comissão Rondon: “Redesenhando o Mato Grosso e Regiões Circunvizinhas
Mateus Aparecido de Moraes A visão admirável e epistemológica sobre a pitoresca cartografia geográfica e artística de Van Langren
Mauricio Caetano dos Santos Cartografia e Geografia Histórica: um olhar sobre a economia e ocupação territorial da província do Ceará no período anterior à independência do Brasil
Miguel José Rodrigues Lourenço Espaço e experiência na cartografia náutica ibérica das Filipinas no século XVI. Para uma metodologia de desconstrução do mapa
Milena Fernandes Maranho Retratos da colonização: os mapas dos Teixeira Albernás e a contrução dos sentidos da América portuguesa seiscentista
Patrícia Gomes da Silveira Análise das atividades econômicas na Cidade Nova (RJ) oitocentista
Rafael Moreira Pedro e Jorge Reinel (At.1504-60), Dois Cartógrafos Negros Na Côrte De D. Manuel De Portugal (1495-1521)
Reinaldo Paul Pérez Machado Sobreposição da cartografia digital vetorial às cartas e mapas históricos da Cidade de São Paulo
Renata Araujo Os mapas do Mato Grosso: o território como projeto
Renato Coimbra Frias A expansão do sistema de abastecimento d’água da cidade do Rio de Janeiro (1723-1846)
Renato Pereira Brandão A Questão da Longitude na Expansão Territorial da América Portuguesa: O Tratado de Madri e o mapeamento da China
Ricardo Padron Las Indias olvidadas: Filipinas y América en la cartografía imperial española
Sebastian Diaz Angel Mapas y dioramas: elementos para repensar la construcción cartográfica de la naturaleza y la naturaleza de los mapas
Teresa Zweifel Marcas y Territorio: Antiguas huellas sobre la Pampa
Thomás A. S. Haddad Cristóvão Bruno e Michael Florent van Langren: dois mapas lunares e duas trajetórias na selenografia ibérica seiscentista
Tiago Kramer de Oliveira A construção da fronteira no centro da América do Sul: as representações espaciais e a territorialização de ambientes coloniais na primeira metade do século XVIII
Yuri Tavares Rocha Representações de animais e plantas em iluminuras de alguns mapas do século XVI

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Nossa herança imperceptível: uma análise historiográfica da obra Collectanea de mappas de cartographia paulista antiga, organizada por Afonso de E. Taunay, em 1922

Airton José Cavenaghi

Neste trabalho pretende-se analisar as representações iconográficas presentes na obra Collectanea de mappas de cartographia paulista antiga, organizada por Afonso de E. Taunay, em 1922. Procura-se nesta analise, tendo como objeto central de referência, o mapa de Dom Luiz de Céspedes Xeria produzido em 1628, demonstrar que alguns dos documentos apresentados possuem falhas estruturais em sua reprodução, que ao não serem percebidas no momento de sua publicação, se transformaram em um documental histórico primário erroneamente reproduzido. Procura-se, também, analisar a herança deixada pela exposição e propagação deste mesmo material cartográfico, que de maneira imperceptível ao homem comum, se mantém influenciando e moldando ações cotidianas não diretamente relacionadas a época de produção do próprio material cartográfico analisado.

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A cartografia escolar no Brasil: origens históricas e debates metodológicos

Aldo Gonçalves de Oliveira & Maria Adailza Marins de Albuquerque

Condensamos algumas discussões que permeiam a construção histórica do que chamamos de “cartografia escolar” no Brasil, tendo como referencial o surgimento da disciplina escolar geografia, no ano de 1837, a partir da criação do Colégio de Pedro II na cidade do Rio de Janeiro. Entendendo a cartografia como um dado inerente as sociedades humanas e correlacionando os mapas com o processo educativo que se desenrola no Brasil durante o século XIX, buscamos compreender as relações que se constroem entre o poder estabelecido e a necessidade de legitimação espacial e social que o mesmo comporta. Partimos, nesse contexto, de três questionamentos principais: Como era utilizada a cartografia aplicada ao ensino de geografia ao longo do século XIX no Brasil? Que mapas eram utilizados para o ensino dessa disciplina no período em questão? Qual o papel do livro didático? Para dar conta de responder a essas questões partimos da análise de alguns mapas presentes no “Atlas de Delamarche” que data de 1872 e do “Atlas do Império do Brazil” publicado em 1868. Foram esses os dois atlas, os principais instrumentos que basearam o desenvolvimento de uma cartografia na escola no período dado. Será a partir deles que buscaremos analisar a cartografia escolar, objetivando compreender a formatação do ensino de geografia no período. A discussão sobre as relações que se estabelecem entre espaço e representação na escola nos permitiram traçar um quadro político, econômico e social que marca a construção da educação brasileira, tendo como foco de análise a disciplina escolar geografia.

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O mundo em mudança: a cartografia renascentista no acervo da Biblioteca Nacional

Ana Cristina Campos Rodrigues

No presente trabalho, apresentaremos os resultados do levantamento inicial do material cartográfico renascentista presente no acervo da Biblioteca Nacional. A Divisão de Cartografia apresenta, entre os seus mais de 20.000 documentos, diversos mapas e atlas produzidos entre o final do século XV e a primeira metade do século XVII, período de importantes mudanças no pensamento cientifico e geográfico, causadas por avanços tecnológicos e pelas navegações européias. Dentro do esforço de levantamento, identificação e catalogação do acervo presente na Divisão, escolhemos começar pela cartografia renascentista não só por uma questão cronológica – visto que os mais antigos exemplares da Geografia de Ptolomeu presentes na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro são da segundo metade do século XV – mas também pela relevância do tema para o estudo da História da Cartografia e da Cartografia Histórica.

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A cartografia histórica e a história da cartografia da América portuguesa e do Brasil Império: um projeto de difusão do CRCH-UFMG

Antônio Gilberto Costa & Márcia Maria Duarte dos Santos

Para além da identificação e estudo sistemático de documentos considerados síntese do conhecimento geográfico, alcançado ao longo dos 400 anos de conquista e transformação do território brasileiro, fontes de representações gráficas – de escalas e de natureza diferentes – revelam não só os paradigmas cartográficos que nortearem a sua produção, como, também, quando decodificados, permitem o conhecimento das características geográficas e etnográficas do território. Contar essas histórias, abordando a conquista, a ocupação e a delimitação de territórios, e as das ciências e técnicas envolvidas nesses empreendimentos, tem sido o objetivo maior dos trabalhos desenvolvidos no Centro de Referência em Cartografia Histórica da UFMG (CRCH). Visando difundir esse conhecimento, relacionado à História da Cartografia, ou à Cartografia Histórica da América portuguesa e do Brasil Império, e buscando alcançar o maior número possível de pesquisadores, de professores e de estudantes, de todos os níveis de ensino, foi colocado em desenvolvimento no CRCH um programa que abrange atividades de pesquisa, de ensino e de extensão. Além dessas atividades e dos seus diferentes produtos, faz parte dessa política de difusão do CRCH, a formação de um acervo de documentos cartográficos. Sua existência, que contribui para minimizar os efeitos da dispersão geográfica das instituições guardiãs de documentos cartográficos originais, referentes ao território brasileiro e, em especial, ao de Minas Gerais, facilita o acesso de estudiosos e outros interessados a um formidável conjunto de documentos cartográficos e outras iconografias, elaborados, principalmente, nos séculos XVIII e XIX.

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Expedições Jesuíticas e cartografia americana: séculos XVII e XVIII

Artur Henrique Franco Barcelos

Durante dois séculos e meio, entre os séculos XVII e XVIII, os missionários da Companhia de Jesus percorreram extensos territórios americanos com objetivos variados. Suas expedições se expandiram em áreas como o Oeste da América do Norte, a península da Califórnia, a Amazônia, a Região Platina, a Patagônia, e as ilhas caribenhas, entre outras. Das observações feitas nestas regiões restaram múltiplos relatos e uma vasta cartografia, composta de croquis, esboços e mapas propriamente ditos. Em muitos casos, os jesuítas foram os primeiros a realizar descrições escritas e cartográficas de áreas onde a conquista e a colonização espanhola ainda não havia se efetivado. E mesmo após a expulsão dos inacianos, em 1767, a produção cartográfica destes religiosos não se encerrou, existindo uma importante elaboração de mapas feita por padres e irmãos exilados na Europa. O objetivo deste trabalho é apresentar alguns estudos de casos, baseados na cartografia resultante, considerando seu contexto de produção e circulação, bem como seus elementos iconográficos e simbólicos.

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Santa Catarina: dimensões de uma unidade colonial (1738-1821)

Augusto da Silva

O objetivo desta comunicação é de compreender a formação da unidade colonial da Ilha de Santa Catarina (depois expandida ao continente), de 1738, ano em que ela passou a ser subordinada à capitania do Rio de Janeiro, até 1821, quando se tornou província independente. Com base na análise do vocabulário político utilizado pelas autoridades na documentação contemporânea, procurei identificar qual o estatuto jurídico e as dimensões dessa colônia para os diferentes funcionários régios.

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Colonial comarca dos ilhéus (1763-1808): representações cartográficas como táticas de intervenção territorial em zona de fronteira

Caio Figueiredo Fernandes Adan

Esse trabalho tem por objeto o processo de construção territorial e discursiva da Colonial Comarca dos Ilhéus, dando ênfase, sobretudo, às representações cartográficas deste território, e aos diferentes sentidos que envolveram a produção desses registros. Criada em 1763, como conseqüência da anexação do território da antiga donataria de São Jorge dos Ilhéus pela Capitania Real da Bahia, a comarca insere-se no bojo de um amplo processo de redesenho das fronteiras da colonização portuguesa no continente americano durante a segunda metade do século XVIII, voltado não apenas para a consolidação de seus limites exteriores, como também para uma nova lógica de gestão do território colonial, notadamente sobre aquelas áreas em que o domínio e a exploração colonial ainda não tinham se efetivado por completo. Nesse sentido, busca problematizar a utilidade do conceito de fronteira para pensar as dinâmicas territoriais vivenciadas naquele espaço durante as últimas décadas do período colonial.

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Omnia fer taetas – O tempo tudo traz: a mostragem de cartografia histórica como propedêutica do conhecimento em alguns exemplares da historiografia brasileira

Caio Graco Valle Cobério

Aproveitando o ensejo de aprofundamento na cartografia histórica como instrumento de acesso ao conhecimento histórico, este trabalho pretende entendê-la como uma propedêutica – no sentido em que a cartografia permite, ao mesmo tempo, a compreensão do conhecimento da História e, ela própria, é um modo deste conhecimento. Nestes termos, objetiva-se alçar aquela cartografia histórica que se diferencia das cartas produzidas ao longo dos tempos, mais apropriadamente tratadas como fontes históricas, primárias ou não; portanto, apreender a importância daquelas cartas que são fruto do trabalho de historiadores e demais pesquisadores, resultados da pesquisa histórica e voltadas para a sua explicação, contidas em alguns conhecidos exemplares que narram a História do Brasil. Um exercício de busca dessas ilustrações cartográficas oferece, não somente, a visualização da propedêutica acima referida – elocubrando sobre temas, tendências e formas de representação -, como, também, sugere um posicionamento mais crítico sobre o papel desempenhado pela cartografia histórica na construção do conhecimento histórico e o lugar que ela ocupa em meio à produção em História do Brasil. Dada a vastidão de possibilidades que se supõe existir na totalidade e variedade de temas históricos, foram selecionados, a título de amostragem, quatro exemplares da historiografia brasileira, datados entre as décadas de 1930 e 1970: o volume “História Econômica do Brasil (1500/1820)” de Roberto Simonsen; “Evolução Política do Brasil” de Caio Prado Júnior; a “História da Civilização Brasileira”, obra de cunho didático escrita por Therezinha de Castro;e a coleção “História Geral da Civilização Brasileira”, dirigida originalmente por Sérgio Buarque de Holanda.

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Quinta Pars o Terrae Incognitae? La cuestión de la verosimilitud en la representación cartográfica de lo desconocido

Carla Lois

Hace cuarenta años, Wilcomb Washburn afirmaba que las estrategias involucradas en la representación cartográfica de las tierras y los mares desconocidos no habían sido todavía adecuadamente estudiadas (Washburn, 1969: 18). Esa carencia de estudios no parece poder ser atribuida a un desinterés en el tema de “lo desconocido”, dado que es bien sabido que las terrae incognitae han sido y siguen siendo objeto de expediciones, de obras literarias y artísticas, y, en general, de reflexiones de todo tipo. En cambio, es probable que este déficit de estudios sobre lo desconocido esté relacionado con una concepción positivista del conocimiento geográfico, según la cual lo desconocido sería apenas un momento “cero” de conocimiento, una etapa anterior a la del conocimiento efectivo. Además, la noción de terrae incognitae estuvo ligada a las de exploración y descubrimiento, y fueron entendidas como “cosas que no han sido vistas o que no han sido bien exploradas”. No obstante ello, aún desde una episteme en la que la visión es el dispositivo primordial para la construcción de un conocimiento legítimo, es evidente que la falta de una experiencia visual no ha impedido la imaginación de las tierras desconocidas.
La interrogación sobre lo desconocido que se propone aquí se inscribe en una perspectiva común a diversos trabajos publicados en los últimos años que, en su conjunto, expresan la emergencia de una familia de temas que tienen una larga tradición como el reverso o el costado negativo de temas “positivos”, y que recientemente están
siendo envestidos de una nueva positividad que les confiere la entidad de un verdadero tema de investigación por derecho propio y que, al mismo tiempo, los habilita a ser utlizados como metáfora heurística. Algunos de esos tópicos son el olvido, la sombra, el cero, el silencio, el blanco, la ausencia, el vacío y lo invisible, entre muchos otros.

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Cartografia, Sesmarias, tributos e poder na região da caldeira vulcânica de Poços de Caldas-MG – séc. XVIII-XIX

Carlos Eduardo Rovaron

Durante a pesquisa de mestrado sobre o processo de ocupação da Região da Caldeira Vulcânica de Poços de Caldas-MG, realizado entre os anos de 2006 e 2009, entrei em contato com o fato de toda a região a oeste do rio Sapucay, em que a região da Caldeira está inscrita, foi paulista até os anos 60 do século XVIII. O contato com esta informação começou a se dar com o levantamento de obras de memorialistas e sesmarias da região.
Desde os anos 40 do século XVIII a área da Caldeira Vulcânica de Poços de Caldas foi disputada pelos governos de São Paulo e Minas. Em 1767 a dimensão da relevância econômica desta disputa ficou indicada pelo argumento dado pelo governador mineiro Luiz Diogo para legitimar expansão da divisa de Minas sobre esta área até as imediações de Caldas-MG, na região da Caldeira. Tal argumento foi o de que aumentando o território e o número de contribuintes, o pesado imposto de 100 arrobas de ouro seria dividido por um número maior de pessoas, o que atenuaria os descontentamentos gerados pelo mesmo. Ou seja, nesta área certamente havia uma população produzindo que constituía importante contingente de contribuintes.
Isto fez com que Luis Diogo ganhasse a hostilidade do governador paulista Morgado de Matheus, o que ficou gravado na correspondência trocada entre os dois governadores e com a Corte Portuguesa.
Portanto, além do controle de vias ilícitas e do contrabando, havia outros fortes interesses ficais envolvidos, no caso a “simples” capitação de impostos.
A região da Caldeira, localizada no extremo da zona de fronteira de circunscrição administrativa dos governos de Minas e São Paulo, foi abarcada pela fronteira de Minas um pouco mais tarde, nos anos 80 do século XVIII.
O fato dos olhos dos governos de São Paulo e Minas terem se voltado para a região já no século XVIII é um forte indício do seu ganho de relevância econômica e também política. Esta disputa, que também pode ser entendida como a gênese de uma “geografia do poder” na região, pode ser acompanhada pelos sucessivos traçados das divisas na cartografia de época das duas capitanias apresentada por Orville Derby.
Olhando a cartografia de época por este ângulo, ela revela-se muito mais do que uma mera representação do espaço, mostra-se como instrumento disputa de poder sobre um espaço, que está relacionada à possibilidade de controle da captação fiscal da riqueza nele produzida.

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Retóricas cartográficas: as vilas e seus territórios nas Minas setecentistas

Cláudia Damasceno Fonseca

Na segunda metade do século XVIII, ocorreram diversos conflitos territoriais em Minas Gerais, que estão referidos em diversos mapas. As câmaras mineiras foram importantes protagonistas destas disputas, que suscitaram a realização de diversos documentos cartográficos. Neste texto buscamos analisar a maneira pela qual foram representadas as povoações e os territórios (termos) das vilas na cartografia mineira setecentista. Analisamos mais particularmente alguns exemplares da “cartografia municipal”, levando em conta tanto seus aspectos formais quanto o contexto de produção destes mapas – o que permite que se identifique variados “discursos” sobre o território que estão implícitos em tais documentos.

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Desenhando o Ceará

Clovis Ramiro Jucá Neto

Após a União Ibérica, as bases da formação territorial brasileira já se faziam manifestas. Embora a conformação básica estivesse posta, não significava que estivesse consolidado o domínio de todo espaço. A partir do século XVII e durante o século XVIII, as duas principais correntes de povoamento partiram da região sudeste em direção as fronteiras com a América Espanhola ou de São Luis e de Belém. Entre elas, ficou uma enorme área central a ser ocupada e devidamente cartografada. Tratava-se de uma zona de trânsito e visitação na hinterlandia englobada pelo sertão. Entre estas áreas de trânsito no nordeste brasileiro estava o território o cearense. No final do século XVIII, o declínio da atividade criatória, a introdução da cotonicultura e a separação administrativa do Ceará em relação a Pernambuco no ano de 1799 significaram um novo delineamento socioeconômico e conseqüentemente espacial da Capitania autônoma, levantando a urgência de sua representação. Este mapeamento, no alvorecer do século XIX, buscou as localizações de potencialidades extrativas minerais, de exploração agrícola e das estradas, além da definição dos reais limites territoriais. O texto analisa os primórdios da cartografia cearense revelando o contexto histórico de sua produção, identificando os agentes envolvidos nos procedimentos de representação, descrevendo o território representado e apontando as técnicas utilizadas.

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A Planta de Porto Alegre de 1839: o mapa de uma cidade sitiada

Daniela Marzola Fialho

O trabalho analisa o terceiro mapa da cidade de Porto Alegre, capital da Província de São Pedro, levantado e executado por Luiz Pereira Dias em 1839 e, portanto, em pleno desenrolar da Revolução Farroupilha (1835-1845). Embora esta não seja a mais antiga planta da cidade, é a mais conhecida dentre as antigas. A planta de L. P. Dias se distingue das demais por oferecer duas vistas da cidade, uma do Leste e outra do Oeste. As duas imagens, que correspondem a duas perspectivas da cidade, dão uma noção do perfil da península, com suas elevações: a vista de leste mostra bem o ‘entrincheiramento’ existente; a vista de oeste mostra a cidade vista do rio, com vários barcos aparecendo na cena. Sua forma, traçado e apresentação demonstram não só a ocupação do solo da cidade de Porto Alegre até então, como também – e sobretudo – a configuração de uma cidade sitiada. Produz, assim, uma identidade urbana e guerreira. A partir daí, a análise que empreendo busca ressaltar, por um lado, a importância do aparecimento desse mapa precisamente naquele momento histórico, no qual estava em jogo o futuro político da Província. Por outro lado, visto e perspectivado como um discurso, o mapa revela um confronto de forças, que será retomado, de diferentes formas, ao longo de todo o século XX até nossos dias. Constitui, portanto, uma forma de entender, genealogicamente, a atualidade urbana de Porto Alegre.

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«Eliseo Reclus y la geografía de Colombia»: blog de la investigación

David Alejandro Ramírez Palacios

El número de ítems que conforman el conjunto de la producción cartográfica elaborada bajo supervisión directa del singularmente prolífico geógrafo anarquista francés Eliseo Reclus (1830-1905) asciende a una decena de millares, contando entre ellos no solamente los innumerables mapas que acompañan sus voluminosas obras, sino también sus proyectos de mapas tridimensionales, el más audaz nada menos que un gran globo terráqueo a escala de cien mil.

La ciertamente monumental Nueva Geografía Universal (19 v., 1876-1894), segunda obra de su trilogía, gozó en todos los sentidos de una ilustración privilegiada, incluyendo en cuanto a mapas se refiere –por no mencionar los múltiples grabados de tipos y paisajes– una cifra superior a cuatro mil, la mayoría de ellos compuestos y grabados, siguiendo las indicaciones del autor, por el cartógrafo suizo Charles Perron (1837-1909), pedagogo y camarada militante.

Los capítulos de esta enciclopedia dedicados a Colombia fueron construidos, no menos que los demás, a partir de un levantamiento documental verdaderamente amplio por parte del autor, enfáticamente atento a la compilación y análisis de fuentes cartográficas. Para el caso, Reclus contó con la entusiasta colaboración del entonces joven geógrafo y cartógrafo colombiano Francisco Javier Vergara y Velasco (1860-1914), registrada en su correspondencia.

El presente escrito comenta algunos aspectos del proceso creativo de los mapas que acompañan los dichos capítulos sobre Colombia de la Nueva Geografía Universal de Reclus y presenta a los lectores el blog “Eliseo Reclus y la Geografía de Colombia”, bitácora de la investigación y repositorio de la documentación relacionada.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis. Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis. Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis. Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.
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Anamorfose como mapa: história, aplicativos e aplicações

Eduardo Dutenkefer

Este artigo apresenta a anamorfose como mapa, fruto de uma transformação cartográfica espacial particular. Mostra a sua história e sua evolução até os dias de hoje. Suas virtudes e dificuldades como instrumento de comunicação e análise. Apresenta os aplicativos cartográficos disponíveis para sua elaboração em computadores pessoais e exemplos de aplicações possíveis relacionando-as com a métrica, escala e substância características do espaço geográfico que deveria representar enquanto mapa.

Os mapas em anamorfose chocam o nosso olhar adestrado, familiarizado em representações “naturalizadas” com o fundo de mapa convencional, euclidiano, onde as métricas são expressas em metros, quilômetros, hectares; onde a extensão do espaço geográfico representado limita a comunicação visual que todo mapa deveria proporcionar. Limita tendências espaciais relevantes de fenômenos como o urbano, por exemplo, que sobre um fundo euclidiano nada evidenciam ou quando evidenciam é a extensão territorial pouco densa, rarefeita de objetos geográficos que dão sentido ao fenômeno urbano.

Todo mapa é fruto de transformações cartográficas. Transformação no sentido de que vai além da forma original que deveria representar, dando outra forma ao espaço geográfico analisado. Cartográfica, porque o objeto que é transformado é o mapa. Espacial, pois se refere a localizações, direções, distâncias e áreas.

Operar estas transformações espaciais em um mapa é privilegiar a sua função primordial de comunicar e de ser um instrumento de análise do espaço geográfico. Espaço geográfico compreendido aqui como dimensão da sociedade. Dimensão estabelecida pelo conjunto de relações sociais que se dão simultaneamente e mediadas pela(s) distância(s) que aproximam ou afastam realidade(s) diferentes ou “iguais”.

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Agustín Codazzi y los primeros mapas nacionales de Colombia y Venezuela

Efraín Sánchez Cabra

La historia cartográfica de América Latina es aún hoy un tema explorado insuficientemente, y su presencia es todavía escasa en la bibliografía internacional especializada. Quizás por esta razón siguen en la oscuridad procesos que tuvieron lugar en el continente en el primer siglo después de su independencia y que dejaron profunda huella en su identidad nacional y en su historia científica, y que sentaron las bases de su cartografía moderna. Uno de esos procesos fue el levantamiento de los primeros mapas nacionales sistemáticos de Venezuela y Colombia, labor ejecutada por el geógrafo italiano Agustín Codazzi (1793-1859). Codazzi trabajó en Venezuela como geógrafo y cartógrafo desde el año anterior a la separación de Venezuela de la Gran Colombia, en 1829, y culminó su labor en 1840, cuando se publicó en París su “Mapa Físico y Político de la República de Venezuela”, su Atlas Físico y Político de la República de Venezuela y su Resumen de la Geografía de Venezuela, obra sobre la cual se publicó en 1843 una reseña en The Journal of the Royal Geographical Society of London. En opinión del reseñador, la obra “… nos presenta una descripción más completa y sistemática del territorio de Venezuela que la que poseíamos hasta hoy, o que la que poseíamos de cualquiera de los territorios ocupados por la raza española en el Nuevo Mundo”. Pese a haber sido una empresa mucho más compleja y de mayor envergadura, la Comisión Corográfica de la Nueva Granada, como se llamó el proyecto de levantamiento del primer mapa nacional de Colombia y su primera descripción geográfica, no recibió tanta publicidad internacional como la Geografía de Venezuela. La muerte de Codazzi hizo que la tarea de preparar y publicar los resultados finales quedara a cargo de sus colaboradores. La muerte también impidió que su contribución a la geografía internacional se extendiera más al sur del continente americano. Poco después de conocerse la noticia de su fallecimiento, en marzo de 1859, se dice haber llegado a Bogotá una carta dirigida a él, firmada por el presidente del Perú, Ramón Castilla, adjuntando el contrato para el levantamiento cartográfico y la descripción de ese país.

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Tradições cartográficas e fixação de fronteiras na independência brasileira: os mapas como um meio de delimitar o território

Enali Maria De Biaggi

No momento da independência, os documentos cartográficos reunidos no Brasil são mobilizados para reforçar o argumento tradicional “uti possedetis” de posse, para lidar com os vários litígios de fronteiras típicos das novas nações sul americanas. A indefinição de limites do país permanece ao longo de todo o século XIX, mas a diplomacia brasileira consegue progressivamente justificar a
ocupação real das terras, fazendo um uso hábil dos mapas disponíveis. Os mapas do Império buscam dar uma imagem positiva do país, mostrando o caráter “civilizado” da nova nação. Realizados por civis e militares formados nas novas escolas brasileiras, estrangeiros e brasileiros se sucedem nas novas instituições responsáveis pela cartografia nacional. Sem meios de realizar um levantamento sistemático total do país, os novos mapas são frutos de extensas compilações e não fornecem detalhes sobre a distribuição e a gestão interna do imenso território brasileiro.

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Neo-Geografias, Notopia, Mapas Culturais
e GIS da Próxima Geração

Dr.Dr. Fivos Papadimitriou

As Neo-Geografias emergem como uma nova tendência em Geografia e Cartografia através de Tecnologias da Informação Geográfica (SIG/GIS, GPS e Sensoriamento Remoto) em combinação com a telefonia móvel e a Internet.
Os objetivos deste trabalho são: a) Explorar as relações entre as Neo-Geografias, a teoria da “Notopia” (no+topia, não lugar), e os Mapas Culturais, do ponto de vista da Cartografia Histórica e b)Formular especulações sobre possíveis caminhos de evolução dos SIG no futuro.
A Geo-localização fica no centro das tecnologias geo-espaciais futuras e as Neo-Geografias “enchem” a Web Semântica com informações. No entanto, um mundo virtual desconhecido e não mapeado, a “Notopia”, continua longe de ser acessível para a maioria dos usuários comuns. Ao mesmo tempo, enquanto os Neo-geógrafos procuram tirar fotos de cada local diferente da terra, os “Notopians” procuram mascarar locais virtuais através da Internet para assim ocultar sua verdadeira localização geográfica.
Por conseguinte, a Cartografia no século XXI será muito diferente da Cartografia que conhecemos até agora.

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História da cartografia brasileira e mapoteconomia segundo
Jaime Cortesão: o curso do Itamaraty de 1944

Francisco Roque de Oliveira

Entre 1944 e 1950, o polígrafo português Jaime Cortesão leccionou no Ministério das Relações Exteriores do Brasil uma série de cursos sobre história da cartografia, o processo de formação territorial brasileira e mapoteconomia vocacionados, simultaneamente, para a preparação dos candidatos à carreira diplomática e a formação em cartografia e catalogação do pessoal da Mapoteca do Itamaraty. Estes cursos constituíram uma parcela central da actividade científica e cultural que Cortesão realizou no Brasil, tendo estado na génese de algumas das principais obras que escreveu durante os anos em que viveu exilado neste país (1940-1957). Este artigo centre-se na descrição dos conteúdos e do enquadramento científico, institucional e político do primeiro programa de estudos preparado por Cortesão para os seus alunos do Itamaraty, em 1944. Será dada particular atenção aos sucessivos projectos de programa preparados por Cortesão para o curso desse ano e que antecederam a versão final transmitida nas aulas.

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Planejamento urbano, expansão colonial e relações de poder: planos de povoações nas fronteiras dos impérios ibéricos na América: vales dos rios Guaporé e Paraguai (ca. 1750-1800)

Francismar Alex Lopes de Carvalho

Na segunda metade do século XVIII, acirrou-se a rivalidade entre Espanha e Portugal pela definição da posse soberana sobre os territórios limítrofes das colônias da América. Com o Tratado de Madrid e a noção de uti possidetis, a instalação de fortificações e povoações nas regiões sob litígio passou a ser uma estratégia comum aos dois impérios. A reunião de povos indígenas e colonos em vilas, povoações ou reduções visava atender às exigências dos reformistas ilustrados quanto à regularidade urbana e à centralidade da produção agrícola. As chamadas “cidades de lavradores”, para usar a expressão de Ramón Gutiérrez (1997, p. 223), deviam ser construídas com ruas retilíneas, fachadas idênticas e unidades reservadas à agricultura. No período considerado, ao passo que os espanhóis não conseguiram instalar nenhum forte ou povoação na região das missões de Mojos e Chiquitos, como os portugueses estabeleceram no vale do rio Guaporé, uns e outros o fizeram na fronteira entre a capitania de Mato Grosso e a província do Paraguai. Dessa forma, a situação de disputa fronteiriça permite problematizar comparativamente os modelos de povoações planejados para atrair os mesmos povos indígenas, que se viam simultaneamente em contato com agentes dos dois impérios. O presente trabalho analisa como espanhóis e portugueses procuraram, através de povoações regulares, fazer incidir sobre povos indígenas e colonos dispositivos de poder que os tornassem integrados à soberania monárquica e “úteis” ao serviço real. As fontes documentais analisadas são planos de povoações, regulamentos e correspondências administrativas.

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El damero en discusión: prácticas espaciales y cartografía urbana en Lima Tardo Virreinal

Isaac D. Sáenz

Durante el siglo XVIII emerge en el Perú colonial, una nueva forma de comprender la ciudad, como un laboratorio urbano, un espacio de experimentación, a propósito del proyecto civilizador de los borbones, a través del despliegue de estrategias que procuraban la racionalización de las prácticas urbanas, tanto en el ámbito social como en la fábrica física. La cartografía urbana tuvo un papel destacado en la implementación de estas reformas, por un lado, al constituir una herramienta poderosa en su gestión y construcción y por otro lado, al reflejar y exaltar los cambios que experimentaba la ciudad.
El trabajo que sigue busca examinar las relaciones entre las disposiciones y estrategias implementadas por la autoridad borbónica en Lima, particularmente el uso de la cartografía urbana y las formas de persistencia de prácticas espaciales por diversos sectores de la población, evidenciándose los límites del proyecto reformista. Entendemos la cartografía en este trabajo, como un instrumento que buscó cristalizar un imaginario de ciudad ilustrada, a la vez que reflejaba sus límites y contradicciones, a través de la representación de diversas prácticas espaciales, en divergencia con el poder virreinal.

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Philologie et cartographie au XVIe siècle : la critique de l ’histoire dans le Parergon et le Thesaurus geographicus d’Abraham Ortelius

Jean-Marc Besse

Les historiens n’ont bien souvent retenu d’Abraham Ortelius que le Theatrum orbis terrarum. Et, sans nul doute, cet ouvrage a assuré à l’humaniste anversois une prééminence avérée dans la géographie du XVIe siècle (qu’il partage toutefois avec Gérard Mercator). C’est le Theatrum orbis terrarum, résultat d’un travail de plusieurs années pendant lesquelles Ortelius a rassemblé des dizaines de cartes, dont il a unifié les formats, les échelles et les modes de projection, les redessinant en partie, qui fait la renommée de l’humaniste flamand.
Le succès immédiat que rencontre cet ouvrage, pourtant coûteux, ses multiples rééditions (une trentaine au total, trois la première année), la mise à jour progressive des cartes et l’augmentation de leur nombre (de 70 à 121), sa nomination en 1573 comme géographe de Philippe II sont autant d’éléments qui assurent à Ortelius la prospérité et, surtout, le placent au centre des réseaux de la circulation des informations et des documents dans la géographie de la seconde moitié du XVIe siècle.
En 1579, Ortelius ajoute au Theatrum orbis terrarum trois cartes historiques. Les trois cartes, qui sont accompagnées de 2 textes explicatifs, et placées à la suite du Theatrum (Peregrinationis Divi Pauli, Romani Imperii Imago, Graecia Sophiani), sont séparées de l’ensemble qui les précède par le titre Parergon theatri.

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Coerência Cartográfica de um mapa analógico: estudo da carta portulana de paranaguá-cananéia de 1666

João Vitor Meza Bravo & Fernando Luiz de Paula Santil

A Cartografia Moderna tem como um dos escopos de pesquisa a Cartografia Histórica. No presente artigo, avalia-se a geometria de um mapa analógico do séc. XVII, que é uma carta portulana da costa litorânea dos atuais Estados de São Paulo e Paraná. Não se aplica um estudo cartométrico sistemático que permita uma melhor compreensão de como foram construídas as cartas de navegação, mas apontar a presença de determinação astronômica e a proposta do seu autor na comunicação da informação. Valeu-se do software Global Mapper 8.0 para efetuar o georreferenciamento de pontos comuns a carta portulana com uma atual, cuja amostra de pontos permitiu gerar uma rede de meridianos e paralelos que está implícita nessa carta. Além disso, houve avaliação da precisão da carta, que se obteve medido os erros de latitude e distâncias dessa amostra de pontos. Os resultados indicam que os erros, dada à condição instrumental da época em que a carta portulana foi construída, são pequenos. Quanto a função representativa da carta, está em consonância com a comunicação cartográfica.

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El eco de cartas y mapas en los caminos de la memoria

Jorge Macle Cruz

El recorrido de este texto no es una historia de la Cartografía desde Europa, donde tempranamente se generaron numerosos mapas que domesticaron virtualmente el territorio cubano, con la idea de una necesidad desmedida de poblar cada rincón para ‘evangelizar’ el espacio, una mezcla de fantasía, arte y simbolismos justificantes para satisfacer la sed colonial, sino una mirada al proceso de formación del mapa nacional y al extraordinario papel de los agrimensores, a través de las evidencias que dejaron numerosas instituciones y particulares en los acervos documentales del Archivo Nacional.
Una conjunción de factores contribuyó a delinear notables mapas, algunos llegando a superar a los que contemporáneamente poseía la metrópoli y a ser reconocidos posteriormente por las autoridades intervencionistas de 1898. Finalmente se brinda una caracterización de la Mapoteca y su gestión actual, un lugar que recoge la obra de los más destacados agrimensores, pilotos, cartógrafos, dibujantes, arquitectos e ingenieros, desde el siglo XVI al XX, contribuyentes de numerosos aportes e innovaciones a la Cartografía nacional.

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A Cartografia digital como ferramenta para a Cartografia histórica

Jorge Pimentel Cintra

O trabalho apresenta o auxílio que a Cartografia digital presta à Cartografia histórica. Para isso mostra-se uma seqüência de atividades visando avaliar e trabalhar com mapas históricos no meio digital: escolha de um programa que possua os recursos adequados; obtenção de cópia do mapa em meio digital, estudo dos dados técnicos do mapa: escala, tipo de projeção cartográfica, coordenadas que utiliza, meridiano de origem. Isso permite avaliar precisões, fazer comparações dos mapas entre si e com uma fonte mais precisa, levantar hipóteses de dependência entre cartas e de origem de informações. Essas possibilidades de análise e questionamento são mostradas com base em casos reais: o mapa do rio Amazonas do padre Fritz (1707); o Mapa de La Condamine (1744); o Mapa das Cortes (1749) e outros. Outra possibilidade é a localização exata de monumentos, edifícios e ruas não mais existentes, exemplificado para a cidade de São Paulo. A introdução do elemento quantitativo no dado histórico permite ilustrar e definir melhor o aspecto qualitativo, ou seja, precisar e matizar as informações. Em suma: como aproveitar o novo em proveito do antigo, a técnica em benefício da história.

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La representación de México en atlas y libros de texto del siglo XIX. Hacia una construcción de la identidad

José Omar Moncada Maya & Irma Escamilla Herrera

En el México del siglo XIX, los gobiernos liberales consideraron a la educación como el mejor medio para incorporar a las masivas clases populares iletradas al “progreso”. Y en algunas de estas propuestas se consideró que la enseñanza de la geografía debía estar presente, toda vez que, junto con la historia, serían las promotoras de toda una serie de valores que llevarían a identificar a la población escolar con un territorio dado. Uno de los elementos que mejor permitirían la identificación de la población con su región, su estado y, sobre todo, su país, sin duda sería la cartografía. El objetivo de este trabajo es analizar si las representaciones cartográficas de México en atlas y libros de texto de geografía publicados en el curso del siglo XIX, particularmente en su segunda mitad, ayudaron a construir una identidad nacional.
En 1846 se da un decreto sobre libertad de los estados para disponer su propia enseñanza, lo que da lugar a la existencia de numerosos textos de geografía para los estados, para algunos municipios y aun para ciudades. Ello “tendió a fomentar el orgullo y la identificación con la ‘patria chica’… donde el desconocimiento de lo nacional y la exacerbación de lo regional… prevalecía”. Durante el porfiriato se intento corregir esto, tratando de formar una conciencia nacional a partir del territorio, en la idea de que toda localidad era parte del país:
Considerando que es un trabajo en proceso, podríamos anticipar algunas conclusiones parciales, entre ellas que difícilmente se podía dar una identificación de un niño o de un joven con su país, con base en la cartografía que presentaban los libros de texto utilizados.

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História e memória das representações cartográficas indígenas da terra indígena Karajá-Xambioá-Tocantins

Kênia Gonçalves Costa & Alex Ratts

A presente pesquisa em andamento analisa as representações cartográficas numa perspectiva temporal da Terra Indígena Karajá-Xambioá, no Estado de Tocantins, esta etnia vive tradicionalmente às margens do Rio Araguaia, do qual, segundo sua cosmologia, são originários. Desde o século XVII, com o Mapa da Capitania de Goyaz (1750 ) por Francesco Tosi Colombina, a cartografia colonial registra a presença do “gentio”, especificamente dos Karajá. No século XX, trabalhos como o mapa Etno-Histórico de Curt Nimuendaju, que trazem representações da ocupação Karajá e de sua historicidade, incluindo rotas migratórias. Esta concepção se manifesta em suas representações visuais e mapas mentais da área e do território Karajá. O espaço indígena, inclusive sua problemática territorial, é uma produção em que agentes índios e não índios participam em trocas diferenciadas e desiguais. O contato de indígenas Karajá com a cartografia cartesiana não é recente, ele se dá na atuação política, na vida escolar e acadêmica ou simplesmente em seus trajetos entre a Terra Indígena, o entorno e áreas mais distantes e implica no conhecimento e apropriação de diferenciadas representações cartográficas de suas terras e territórios. Neste sentido, podemos dizer que há uma memória do conhecimento e da apropriação da cartografia cartesiana entre os Karajá. Para execução deste trabalho temos utilizado informações de diferentes interfaces que possibilitam mapear os territórios da Terra Indígena Karajá-Xambioá de acordo com os registros/normatizações cartográficas ocidentais e nas várias linguagens gráficas de indígenas da comunidade, através de mapas mentais, orais, descrições, entrevistas e desenhos.

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Resgate de mapas históricos da capitania de Minas Gerais em ambiente SIG

Leonardo Franklin de Carvalho e José Flavio Morais Castro

Os fatos e eventos ocorridos no século XVIII foram marcantes para a História de Minas Gerais, cujas informações derivadas permitem estabelecer associações e análise históricas, geográficas, cartográficas e culturais em ambiente digital, constituindo importante recurso para resgate de documentos históricos e em poderoso instrumento didático-pedagógico. Um dos grandes desafios deste trabalho foi identificar e tratar as informações geográficas representadas nos documentos históricos, como são os casos da paleografia, do meridiano de referência, da escala, da precisão cartográfica, da representação do relevo, entre outros aspectos. Este trabalho tem por objetivo criar banco de dados georreferenciados em ambiente de Sistema de Informações Geográficas (SIG) do mapa de uma Comarca da Capitania de Minas Gerais: Serro Frio, de José Joaquim da Rocha, 1778 (FJP, 1995). Com base na metodologia de análise espacial de mapas históricos em ambiente SIG desenvolvida por Castro et al. (2006), foram criados layers e gerados banco de dados georreferenciados. Na representação gráfica ou no tratamento da informação espacial foram adotados princípios da semiologia gráfica (Bertin, 1988) por meio de mapa exaustivo e de coleção de mapas.

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Astros e rumos no atlas catalão. Uma reflexão sobre o saber no século XIV

Magali Gomes Nogueira

O conhecido documento histórico Atlas Catalão, hoje arquivado na Biblioteca Nacional da França, em Paris, apresenta-se com tal projeção que dispensa maiores comentários. Sua descrição física tem sido divulgada e reproduções de suas imagens são comuns não só na literatura especializada em Cartografia ou na sua História, como se proliferam nos compêndios de arte e outras áreas do conhecimento, tornando-se, inclusive, símbolo de uma nacionalidade.

Não é um exemplar assinado e a busca de seus autores produziu um olhar atento sobre os personagens que circulavam pelas ilhas Baleares, entre os reinos de Aragão, Castela e cidades comerciais espalhadas por todo o Mediterrâneo. Como esses conhecimentos se materializam na Península Ibérica, nos séculos XIII e XIV? Quais mãos os trazem? O mapamundi, que suas folhas formam, representa qual concepção de mundo? O conhecimento nele transmitido, não só pelas representações cartográfica, mas, também pelos textos explicativos a respeito da formação do Universo e da relação existente entre os fenômenos celestes e os terrestres, interessa, representa a quem?

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La transcripción cartográfica: el uso de vistas y fotos en el trabajo de los topógrafos de la Dirección de Minas, Geología e Hidrología de la República Argentina en la primera mitad del siglo XX

Malena Mazzitelli Mastricchio

Los topógrafos de la Dirección de Minas, Geología e Hidrología realizaban vistas topográficas y fotografías como herramientas fundamentales para visualizar el terreno que se iba a representar. Ambos registros visuales (vistas y fotos) son imágenes que no resultan de un recorte arbitrario de un “paisaje externo” sino que son dos instancias de creación de paisaje. Estos paisajes representados en las vistas topográficas y en la fotografía son traducido al lenguaje normalizado de la ciencia cartográfica. El proceso de traducción implica pensar a la cartografía como un lenguaje que, asumiendo postulados positivistas, aspira a presentar información espacial utilizando un lenguaje altamente codificado y universal. Supuestamente la utilización de códigos para representar el paisaje elimina todo tipo de subjetividades y criterios estéticos. Pero las representaciones hechas por los topógrafos en las vistas y en las fotos son recortes del terreno realizados con un criterio estético que incluye desde la selección de elementos hasta el estiramiento vertical del terreno.
En este trabajo intentamos analizar el proceso de traducción implícito en la construcción de los mapas. Para ello analizamos los trabajos cartográficos que se produjeron en la dirección de Minas, Geología e Hidrología de la República Argentina a principios del siglo XX.

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Um breve apanhado sobre a breve história da cartografia temática

Marcello Martinelli

Desde o mapa da cidade Çatal Höyük da Turquia (6.200 a.C) e o grafito de Bedolina (2.500 a.C.) até os mapas da era da informação, a história da cartografia temática ocupa um lapso de tempo bastante breve. O marco inicial ficou estabelecido com as elaborações de Halley de 1686 e de 1701. Essa cartografia não surgiu de forma espontânea; é historicamente sucessiva à visão topográfica do mundo. Desenvolveu-se a partir da sistematização dos ramos de estudos operados com a divisão do trabalho científico, no fim do século XVIII e início do XIX. Esta nova demanda de mapas norteou a passagem da representação das propriedades apenas “vistas”, para a representação das propriedades “conhecidas” dos fenômenos de cunho geográfico. O código analógico foi substituído paulatinamente por um código mais abstrato. Passou-se a representar categorias mentalmente e não mais visualmente organizadas. Confirmou-se o mapa como expressão do raciocínio que seu autor empreendeu diante da compreensão da realidade. Os trabalhos de Halley fixaram o marco inicial da implementação dos métodos de representação da cartografia temática. Com o mapa das declinações magnéticas de 1701 teria constituído o Método isarítmico. Contou-se, depois, em 1800, com os acréscimos temáticos propiciados pelo Método corocromático de Milne. Em 1826, Dupin organizou um procedimento para expressar quantidades relativas, o Método coroplético. Frère de Montizon estruturou em 1830 o Método dos pontos de contagem para fenômenos dispersos. A Revolução Industrial promoveu em 1845 o Método dos fluxos, que Minard propôs para representar movimentos. Em 1851 efetivou também o Método das figuras geométricas proporcionais para quantidades absolutas. Os aportes trazidos ao Terceiro Congresso Internacional de Estatística de 1857, em Viena, contribuíram para a sistematização metodológica da cartografia temática. Significativo acréscimo foi trazido pelo do Método de distribuição regular de pontos de tamanhos crescentes apresentado por Bertin em 1967. Esta reflexão sobre a história social da cartografia e da cartografia temática, fornece as bases metodológicas para um trabalho consistente no domínio dos mapas da geografia.

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Charles Perron e a Cartografia do Brasil na Nouvelle Géographie Universelle

Marcelo Miyahiro

Este trabalho busca analisar a contribuição de Charles Perron na produção da Nouvelle Géographie Universelle (NGU) de Élisée Reclus. Esta obra possui 19 tomos e mais de 17.000 páginas e foi produzida por Reclus entre 1876 e 1894. Nela o geógrafo francês estudou a geografia mundial e para isso realizou diversas viagens como forma de subsidiar sua produção. Um dos objetivos deste trabalho foi confirmar que a NGU resultou de um esforço coletivo que envolveu uma rede de colaboradores, entre eles, Perron, que com seu trabalho deve ser considerado o cartógrafo da NGU. Para realização deste estudo, optamos em concentrar nossos esforços no capítulo dedicado ao Brasil da NGU juntamente com a sua tradução para o português intitulada Estados Unidos do Brasil: Geographia, Ethnographia, Estatística.

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Rios amazônicos em registros de demarcadores e naturalistas

Maria de Fátima Costa

Na segunda metade do século XVIII, em resposta ao exigido pelos tratados que Portugal e Espanha assinaram, inicialmente em Madri (1750), e depois em Santo Ildefonso (1777), o interior da América Portuguesa passou a receber equipes compostas por astrônomos, engenheiros, geógrafos, religiosos e cirurgiões. Com o auxílio de pessoal de serviço, notadamente indígenas, estes deveriam reconhecer in loco as áreas que América Meridional se constituíam em fronteira entre os dois impérios ibéricos.
Municiadas com os mais avançados instrumentos de precisão e medição, cabia a estas equipes, comumente chamadas de Expedições Demarcadoras de Limites, mensurarem longitudes e latitudes e determinar, em textos e cartas geográficas, a fisionomia daqueles lugares que se constituíam fronteira.
Neste estudo nos interessam os trabalhos realizados por uma destas equipes demarcadoras que estiveram no interior da América Portuguesa nas últimas décadas do século XVIII, objetivamente a que percorreu a bacia amazônica, através do grande canal fluvial formado pelos rios Madeira, Mamoré e Guaporé. São rios que – de acordo com os citados tratados – passavam a se constituir referencial de limites e que, naquele então, era a principal – em alguns casos, única – via de acesso e comunicação entre o interior do Brasil, principalmente com a sede da rica capitania de Mato Grosso, e o atlântico porto de Belém do Pará. Refiro-me à Partida de Limites portuguesa, que sob o comando do sargento-mor de engenheiros Ricardo Franco de Almeida Serra (1748-1809), trafegou por esse caminho entre 1781 – 1782, levantando dados e compondo cartas geográficas.

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A exposição nacional de mapas municipais, 1940: a encenação nacionalista da imagem cartográfica

Maria do Carmo Andrade Gomes

Em 29 de maio de 1940 foi aberta no Rio de Janeiro, então capital da República, a Exposição Nacional de Mapas Municipais. Mostra promovida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em pleno regime autoritário do governo Getúlio Vargas, reuniu com pompa e circunstância uma colheita de mapas recém produzidos, representativos da fisionomia territorial de cada um dos municípios brasileiros. Entre vozes oficiais e discursos técnico-científicos, a exposição foi saudada como a consagração de um esforço sem precedentes do país na produção de um mapa padronizado de todos e de cada um dos municípios brasileiros que, pela sua linguagem homogênea, constituiria em sua soma o tecido cartográfico do território nacional. O presente texto pretende levantar o potencial de reflexão que o evento encerra, enfatizando as motivações geopolíticas que impulsionam e configuram os empreendimentos cartográficos – especialmente aqueles promovidos pelo poder público.

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O acervo cartográfico da Coleção Benedito Ottoni na Biblioteca Nacional

Maria Dulce de Faria

A Coleção Benedito Ottoni, doada à Biblioteca Nacional pelo industrial Júlio Benedito Ottoni, em 1911, foi adquirida do bibliófilo José Carlos Rodrigues. Conta com um valioso acervo bibliográfico, cartográfico, iconográfico e de documentação manuscrita referente à história do Brasil, entre os séculos XV e início do XX.

Quanto ao montante dos documentos cartográficos, de acordo com os volumes 34 a 36 dos Anais da Biblioteca Nacional, se tem a estimativa de 327 “peças avulsas” e 40 “atlas”.

Assim, a equipe da Divisão de Cartografia iniciou o inventário da Coleção Benedito Ottoni, seguindo a metodologia de cotejamento entre o catálogo publicado de José Carlos Rodrigues, os três volumes de registros patrimoniais, que constam das datas de entrada dos documentos no acervo, entre 1911e 1944, os registros catalográficos existentes na base de Cartografia e o acervo armazenado na Divisão.

Até o momento foram identificados cerca de 230 documentos na Divisão de Cartografia, que tratam sobre o levantamento territorial de capitanias, cartografia holandesa, roteiros, costas, cidades e províncias brasileiras. Verificaram a existência de obras renascentistas referentes à cartografia, citadas no Catálogo de J. C. Rodrigues, mas não constam no acervo cartográfico. Assim, recorreu-se à base de Registros de Obras Raras, encontrando cerca de 20 livros sobre cartografia, geografia e roteiro de viajantes.

Nesta fase do levantamento da Coleção Cartográfica Benedito Ottoni, obteve-se a constatação de um acervo considerado de suma importância não só para a história do Brasil e da América do Sul, como para a Cartografia geral.

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A terra figurada: a cartografia na implantação de núcleos urbanos na capitania de São Paulo, 1765-1775

Maria Fernanda Derntl

O impulso à urbanização da capitania de São Paulo durante a administração de D. Luís Antônio de Sousa Botelho Mourão, quarto Morgado de Mateus (1765-1775), levou a uma produção mais intensa de mapas relativos a núcleos urbanos. Na historiografia geral sobre iniciativas urbanas promovidas durante o consulado pombalino, a cartografia tende a ser vista como evidência do caráter planejado dos traçados de novas vilas e povoações. O objetivo desta comunicação é investigar alguns dos modos pelos quais plantas e outras representações cartográficas atuaram na urbanização da capitania de São Paulo entre 1765 e 1775. A partir de exemplares da cartografia remanescente daquele período – em grande parte relativa ao Forte do Iguatemi – e da documentação escrita pertinente aos núcleos em questão, procura-se destacar os diversos significados assumidos pelos desenhos nos contextos de sua elaboração e circulação. A análise levou a ver as representações urbanas em relação contínua com as práticas de implantação urbana, sem que se observasse uma fase nitidamente definida para planejamento urbano.

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Cartografia na Comissão Rondon: “Redesenhando o Mato Grosso e Regiões Circunvizinhas

Maria Gabriela de Almeida Bernardino

Este trabalho, resultado de pesquisa de iniciação científica desenvolvida na Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, está inserido em um projeto mais amplo, denominado “Inventário da Natureza do Brasil: As atividades científicas da Comissão Rondon (1907-1930)”, que tem por objetivos a análise e o entendimento dos aspectos científicos pouco estudados, mas não menos relevantes, realizados pela Comissão das Linhas Construtoras Telegráficas Estratégicas de Mato Grosso ao Amazonas, a CLTEMTA – popularmente conhecida como “Comissão Rondon”. O meu subprojeto, ainda em andamento, tem por objetivo analisar o processo de confecção e elaboração da Carta do Estado de Mato Grosso e Regiões Circunvizinhas (1917-1952), projeto chefiado pelo então General Francisco Jaguaribe Gomes de Mattos e sob a direção geral do General Rondon. A série cartográfica utilizada neste trabalho, foi produzida pela Seção de Desenho da Comissão Rondon, situada no Arquivo Histórico do Exército (AHEx).

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A visão admirável e epistemológica sobre a pitoresca cartografia geográfica e artística de Van Langren

Mateus Aparecido de Moraes

Este artigo apresenta um estudo sobre a cartografia da América Latina através da arte. Ao se estudar a história da cartografia da América Latina, deve tomar como referência o artista e cartógrafo holandês Arnold Florent Van Langren. Sua rica obra favorece os estudos da cartografia histórica e contempla os observadores com o conhecimento da tendência cartográfica vigente na moderna datada nos século XVI. A cartografia é uma arte e ao mesmo tempo uma ciência que, transforma o real em objeto. O trabalho de Van Langren une a visão vertical e a visão horizontal do território criando também uma cartografia didática e lúdica através da apresentação das imagens. A genialidade do cartógrafo Arnold Florent Van Langren sucinta a idéia de que a geografia e a arte mesmo sendo ciências distintas possuem grandes afinidades por representarem o espaço como imagem e a cartografia os territórios com imagem. Para a geografia, a cartografia é a representação gráfica do território pelo homem Este princípio sempre se fez presente em toda a cartografia histórica e até mesmo na cartografia moderna. Mas na cartografia de Van Langren caracteriza-se a particularidade de cada região e localização geográfica. A estética e o belo, que, são conceitos difundidos na ciência da arte tornam-se itens de grandes valores para as obras de Van Langren uma vez que, este cartógrafo se faz pertencer a uma época em que a cartografia se inseria na arte.

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Cartografia e Geografia Histórica: um olhar sobre a economia e ocupação territorial da província do Ceará no período anterior à independência do Brasil

Mauricio Caetano dos Santos

O presente artigo aborda a relação entre os fluxos econômicos e de produção e o processo de ocupação territorial da Província do Ceará do ponto de vista da espacialização desses fenômenos nas duas primeiras décadas do século XIX.

Ele se subsidia em pesquisa iniciada em 2005 sobre a geografia histórica da província do Ceará nas primeiras décadas do séc. XIX, sob orientação do Prof. Dr. Antonio Carlos Robert de Moares, a qual gerou um relatório final entregue à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), onde analisamos a província como uma unidade territorial inserida no sistema colonial português. Neste trabalho foram produzidos 4 mapas temáticos: Vias de Comunicação, Distribuição da População, Distribuição da Produção e Fluxos Econômicos e de Produção.

Nosso intuito neste artigo é fazer uma análise mais aprofundada destes mapas, que não tiveram todo seu potencial utilizado no relatório final da pesquisa apresentado à FAPESP. Bem como discutir a importância da cartografia como ferramenta de análise dentro da geografia histórica.

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Espaço e experiência na cartografia náutica ibérica das Filipinas no século XVI. Para uma metodologia de desconstrução do mapa

Miguel José Rodrigues Lourenço

A partir do caso das Filipinas, pretendemos formular uma proposta metodológica que, com base na cartografia náutica ibérica executada entre 1522 e 1596, permita ampliar qualitativamente o nosso conhecimento sobre as experiências de articulação com o espaço representado. Nesse sentido, propõe-se a realização do processo inverso ao da composição da imagem cartográfica, ou seja, a identificação e individualização dos seus elementos constitutivos – toponímia, legendas, linhas costeiras, iconografia – tendo em vista a sua organização operativa. O levantamento sistemático da toponímia permite a sua ordenação em listas particulares e tipológicas de topónimos, considerando ordens de conhecimento como o idioma da toponomástica ou o seu contexto de recolha ou nomeação. Na medida em que remetem para vias de incorporação de informação e para uma cronologia da mesma, estas listas podem facultar elementos acerca das relações sociais em jogo no terreno, bem como âmbitos e níveis de contacto com o espaço de modo a fornecer quadros compreensão mais alargados acerca da natureza da presença ibérica em regiões onde o domínio do território não é um dado adquirido.

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Retratos da colonização: os mapas dos Teixeira Albernás e a contrução dos sentidos da América portuguesa seiscentista

Milena Fernandes Maranho

No período da União das Coroas Ibéricas ( 1580 a 1640 ), era necessário oferecer aos novos soberanos o conhecimento dos territórios recém adquiridos pelos espanhóis, a fim de demonstrar as suas possibilidades e vantagens frente às possessões do Oriente. Para tanto, alguns mapas de João Teixeira Albernaz, o velho, ilustraram o códice Razão do Estado do Brasil escrito em 1612, que foi encomendado ao Sargento-mor Diogo de Campos Moreno e cuja cópia na qual consta o mapa analisado, “A carta da Bahia de todos os Santos”, é de 1626. Quarenta anos depois, seu neto homônimo João Teixeira Albernaz, o moço, produziu o Atlas do Brasil, no qual compilou e acrescentou dados aos mapas originais do avô, com destaque ao mapa “Bahia de Todos os Santos”. Neste momento, em 1666, a soberania portuguesa estava prestes a ser aceita pela Espanha, e as expectativas com o Brasil já haviam superado os interesses pelo Oriente. Assim, a partir de uma finalidade em especial e de certas intenções explícitas, pretendemos indicar que alguns dos sentidos atribuídos ao Novo Mundo podem ser entendidos enquanto construções de seus agentes, neste caso, dos cosmógrafos reais, os quais, tendo em vista também a análise da contribuição de suas técnicas cartográficas, visavam descrever o que lhes era solicitado, além de propagar imagens acerca das conquistas portuguesas na América. Entendemos que tais imagens contribuíram para os momentos de redefinição dos rumos do Império, e marcaram uma estratégia que continuou a ser empregada na realização dos mapas mesmo após a Restauração.

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Análise das atividades econômicas na Cidade Nova (RJ) oitocentista

Patrícia Gomes da Silveira

O topônimo Cidade Nova (RJ) surge com a chegada da Família Real (1808), para designar a nova cidade que estava em processo de formação. Em meados do século XIX, ela se torna um dos vetores da expansão urbana da cidade. A questão central do trabalho é discutir os fatores que contribuíram para as mudanças verificadas no padrão de uso do solo na Cidade Nova oitocentista. A fim de embasar a questão delimitamos como objetivos específicos: (1) espacializar os usos identificados; (2) comparar, quantitativa e qualitativamente os mosaicos obtidos. O recorte temporal compreende os anos de 1872 e 1888 e este coincide com a primeira fase de expansão acelerada da malha urbana do Rio de Janeiro, que se estende de 1870 a 1902. Outras localidades em conjunto com a Cidade Nova passaram a fazer parte do espaço urbano contínuo da cidade, sendo submetidas a um novo espaço de relações, através dos novos usos aí estabelecidos. A fonte primária utilizada foi o Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro (Almanak Laemmert), produzido para a cidade e província do Rio de Janeiro. Adotou-se como base cartográfica para a espacialização dos usos a Plan of the City of Rio de Janeiro, Gotto (1866), digitalizada pelo Centro de Pesquisa em História Social da Cultura (UNICAMP). Consideramos que o mapeamento realizado não é uma representação fiel da realidade da época, porém se aproxima da dinâmica desses espaços do passado, contribuindo para uma análise enriquecedora do Rio de Janeiro oitocentista.

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Pedro e Jorge Reinel (At.1504-60), Dois Cartógrafos Negros Na Côrte De D. Manuel De Portugal (1495-1521)

Rafael Moreira

Na côrte dos reis D. João II e D. Manuel I de Portugal, ponto de encontro de gentes de todas as raças e proveniências, os escravos negros da Senegâmbia e Guiné, batizados, instruídos e casados com criadas mestiças ou até brancas, formavam uma elite, em que os mais aptos poderiam especializar-se em variados ofícios, de criados da alta nobreza a músicos e artistas. De 1470-80 até c.1540, distinguiu-se um grupo de habilíssimos entalhadores de marfim da Serra Leoa, criadores da arte híbrida chamada “afro-portuguesa” – primeiro exemplo duma arte colonial de origem europeia desde os Fenícios e Romanos… Pela sua inteligência no desenho e alta capacidade técnica, os filhos recebiam educação na escola do Paço, eram libertos e podiam seguir uma profissão liberal. Deve ter sido esse o caso de Pedro Reinel, ou “reinol” (i.e, já nascido no Reino), e seu filho Jorge, formados nas Matemáticas e Cosmografia, que viriam a tornar-se os fundadores e melhores representantes da “escola” de Cartografia manuelina. A esses dois negros oriundos da Serra Leoa devemos a primeira representação detalhada e realista do litoral do Brasil, e uma imagem mítica do seu interior.

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Sobreposição da cartografia digital vetorial às cartas e mapas históricos da Cidade de São Paulo

Reinaldo Paul Pérez Machado

A cidade de São Paulo conta com um amplo acervo de mapas e cartas históricos. São relevantes para mostrar a transformação urbana e o crescimento da metrópole paulista no período compreendido entre o início do século XIX e a primeira metade do século XX. Dentre estes, destacam-se os produtos do levantamento topográfico SARA Brasil, realizado entre 1929 e 1933 pela empresa italiana de igual nome, com sede em Roma. Na ocasião realizou-se o levantamento cadastral da cidade de São Paulo por meio do método Nistri de aerofotogrametria. Este trabalho pioneiro fez de São Paulo a primeira cidade do mundo a possuir um cadastro de plantas articuladas de grande precisão em escala detalhada (1:1.000 e 1:5.000). Foram entregues à Prefeitura 132 cartas, 20 fotocartas e a coleção de fotografias aéreas (verticais e oblíquas), que constituíram o resultado do levantamento.

Os Sistemas de Informação Geográfica permitem colocar como fundo uma imagem matricial, – no caso um mapa histórico digitalizado ou “escanerizado” -, e sobrepor a esta uma base cartográfica digital vetorial atualizada. Se for feito o registro correto de coordenadas, orientação e de projeção cartográfica entre ambos os documentos mencionados, os resultados podem ser muito interessantes e esclarecedores.

Apresentam-se alguns exemplos de utilização deste método na Cidade de São Paulo, mostrando locais significativos onde as coincidências ou diferenças são mais notáveis. Na pesquisa foram empregados documentos históricos de diferentes épocas e escalas. Considera-se esta forma de análise uma opção atrativa para os pesquisadores geógrafos, arquitetos urbanistas, historiadores e outros especialistas que pretendam estudar a evolução histórica da cidade e seus espaços.

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Os mapas do Mato Grosso: o território como projeto

Renata Araujo

O estabelecimento da capitania do Mato Grosso, em 1748, é indissociável da conjuntura que antecede a assinatura do Tratado de Madrid, em 1750. O novo espaço administrativo foi criado especialmente para garantir o controle do território naquela área de fronteira com os domínios espanhóis. Todos os governadores do Mato Grosso na segunda metade do século XVIII investiram no levantamento da região e na consequente produção de mapas. O conjunto é dos mais ricos da cartografia brasileira do período colonial. A intenção da comunicação é, por um lado, abordar o processo tendo em conta o carácter evolutivo que ele representa desde os esboços dos primeiros desbravadores às cartas dos engenheiros militares. Por outro lado, importa ver, sobretudo, o conjunto da produção cartográfica realizada durante o governo de Luís de Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres, posto que os mapas representam ali a efectiva construção de um discurso sobre o território que pretende dar a ver não apenas a fronteira e a capitania, mas todo o “vasto continente do Brasil”. Neste sentido, a questão que aqui se coloca em discussão é perguntar até que ponto a cartografia do Mato Grosso no final do século XVIII pode ser lida como agente e reflexo de uma nova consciência do território. Ou mais propriamente, em que medida a construção da fronteira ocidental do Brasil pode ser entendida como síntese desta nova consciência no universo português.

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A expansão do sistema de abastecimento d’água da cidade do Rio de Janeiro (1723-1846)

Renato Coimbra Frias

Durante os séculos XVIII e XIX, o Rio de Janeiro contava com um sistema de abastecimento d’água baseado em pontos de coleta, tais como bicas, fontes e chafarizes, distribuídos nas vias públicas da cidade. A água era trazida diariamente para as casas dos moradores pelos chamados escravos “aguadeiros” que, em um período anterior, buscavam água diretamente no leito do rio Carioca. Sendo os chafarizes os pontos de coleta mais importantes desse sistema, procuramos mapeá-los, com o objetivo de analisar a expansão do sistema de abastecimento d’água da cidade entre os anos de 1723 e 1846. Buscamos nas fontes primárias utilizadas a localização dos chafarizes e o ano em que cada um deles foi construído, cruzando as informações encontradas para realizar o mapeamento. A série de plantas produzida por Barreiros (1965) foi escolhida como base cartográfica para tal mapeamento. Ao final, observou-se que a expansão do sistema de abastecimento da cidade se deu em dois grandes períodos: o que vai de 1723 a 1808, quando, a partir do Chafariz da Carioca, o sistema vai difundir pela cidade, mas de forma concentrada nos arredores do Maciço da Tijuca, e o que vai de 1809 a 1846, quando, a partir da canalização do rio Comprido e da construção do Chafariz do Campo de Santana, o sistema vai se expandir para as freguesias da área central que até então não possuíam nenhum chafariz para coleta d’água.

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A Questão da Longitude na Expansão Territorial da América Portuguesa: O Tratado de Madri e o mapeamento da China

Renato Pereira Brandão

Abordando a cartografia histórica por informações e dados cartográficos presentes em documentações textuais do século XV ao XVIII, temos como objetivo primeiro discutir as razões que levaram os representantes dos reinos ibéricos nas negociações do Tratado de Tordesilhas a adotar um referencial longitudinal como raia divisória, mesmo sabedores da grande dificuldade na época da determinação precisa da longitude local. Referenciados neste contexto histórico, procuramos então demonstrar que os resultados positivos obtidos por Alexandre de Gusmão nas negociações travadas para o estabelecimento dos termos do Tratado de Madri, celebrado em 1750 entre as Coroas de Portugal e Espanha, não foi devido ao pouco zelo do Marques de Cavarjal, ao aceitar como impreterível a reivindicação do direito de posse para os territórios indevidamente ocupados. A aceitação do princípio do uti possidetis, reivindicada por Gusmão, se deveu por estar sua argumentação apoiada em um sólido conhecimento dos tratados e bulas pontífices referentes à expansão ultramarina ibérica, assim como do avanço obtido em França no aperfeiçoamento do método da obtenção da longitude por observação astronômica, e na aplicação deste método no trabalho de mapeamento da China, realizado a cargo de jesuítas franceses.

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Las Indias olvidadas: Filipinas y América en la cartografía imperial española

Ricardo Padron

Ya que las Islas Filipinas fueron descubiertas desde América, y fueron gobernadas durante mas que dos siglos desde el Virreinato de la Nueva España, la cartografía imperial española de esta colonia lejana solía representarla como parte de un mundo trans-pacífico, atada a la imagen cartográfica del Nuevo Mundo. Este intento involucraba otro mas ambicioso de considerar a lo que normalmente llamamos las Indias Orientales como el extremo occidente del hemisferio hispánico, un proyecto que se puede identificar en mapas imperiales realizados poco después del establecimiento de la ciudad de Manila española, tanto como en otros del siglo XVIII. Aquí se analizan las estrategias gráficas de este proyecto de “occidentalización cartográfica”.

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Mapas y dioramas: elementos para repensar la construcción cartográfica de la naturaleza y la naturaleza de los mapas

Sebastian Diaz Angel

En uno de sus famosos artículos Donna Haraway analizó el papel jugado por los dioramas del Museo de Historia Natural de Nueva York para la puesta en escena taxidérmica del continente africano -y de su orden natural- según los cánones morales de sectores importantes de la élite norteamericana de finales del siglo XIX y principios del XX Según Haroway, los Dioramas y su “arte realista” buscaron generar en el observador la sensación de estar observando las verdades de la naturaleza desde una especie de ventana, el diorama, de manera similar a la forma en la que habitualmente son usados y comprendidos los mapas, esto es como espejos del mundo. Las analogías y similitudes entre mapas, dioramas y otras tecnologías visuales no son superficiales y merecen ser examinadas con mayor profundidad, pues éstos comparten su aspiración de simular la realidad -y en ocasiones también su capacidad de suplantarla- naturalizando diversas relaciones de poder y autoridad.
A partir el uso de conceptos como “bricolaje y “collage”, exploro y exploto similitudes aparentemente sorprendentes entre prácticas cartográficas y taxidérmicas, que a mi juicio ayudan a comprender mejor la racionalidad cartográfica, el papel de los mapas en la construcción de la naturaleza, y en su acomodación a los ideales científicos de realismo, objetivismo y naturalismo según necesidades del estado moderno, la idea de nación, el comercio y el capital, entre otros. Para ello utilizo algunos ejemplos cartográficos de principios del siglo XIX.

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Marcas y Territorio: Antiguas huellas sobre la Pampa

Teresa Zweifel

Este trabajo pretende exponer la influencia de las nuevas estrategias de organización territorial para la campaña bonaerense materializadas durante la primera mitad del siglo XIX sobre la pampa anterior. Partimos del supuesto, desarrollado en otros trabajos, de que dichas estrategias definieron, en parte, la transformación espacial del territorio en un lento proceso de consolidación de los poblados existentes, la fundación de nuevos poblados y su interacción con las estancias como unidades productivas. Para poder analizar en profundidad la acción estatal, tomamos como base el análisis la construcción del Registro Grafico de 1833 y los pueblos de Chascomús y Dolores, a los efectos de verificar como se construye el plano topográfico y como se materializan los pueblos en base a estrategias oficiales. La delimitación técnica para posibilitar la registración permitió que las mensuras de los ejidos y las fracciones de las grandes propiedades funcionaran como un medio idóneo e ineludible para entender el esfuerzo de compilación en la construcción de un inventario de la riqueza en la incipiente formación de las estructuras del Estado.

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Cristóvão Bruno e Michael Florent van Langren: dois mapas lunares e duas trajetórias na selenografia ibérica seiscentista

Thomás A. S. Haddad

Após a rápida incorporação do telescópio às práticas de pesquisa astronômicas nas primeiras décadas do século XVII, a cartografia lunar (ou selenografia) floresceu de maneira notável. Dois momentos culminantes foram a publicação, em 1647, da Selenographia, pelo jurisconsulto e astrônomo protestante Johannes Hevelius, de Danzig, e, logo em seguida, dos mapas lunares dos jesuítas Giovanni Battista Riccioli e Francesco Maria Grimaldi, de Bolonha (como parte do Almagestum Novum de autoria do primeiro, dado à estampa em 1651); os mapas dos jesuítas definiram uma linguagem visual e um padrão toponímico para a Lua que encontraram surpreendente estabilidade. Antes desses marcos, no entanto, diversas outras propostas de cartografias lunares foram realizadas, atendendo a funções e públicos variados; sugerimos neste trabalho que são tipologicamente classificáveis em duas grandes categorias, uma eminentemente toponímica (derivada dos primeiros mapas do inglês Thomas Harriot), outra topográfica (derivada de Galileu Galilei). Examinamos em seguida dois mapas pertencentes a essas tradições, publicados em 1631 e 1645, respectivamente pelo jesuíta Cristóvão Bruno, em Lisboa (em seu livro Collecta astronomica ex doctrina etc., 1631 [colófon 1629], in-quarto, mapa com 10 cm de diâmetro lunar, gravura em cobre, com letras), e pelo cosmógrafo real da coroa espanhola, Michael Florent van Langren, em Bruxelas (Plenilunii / Lumina Austriaca Philippica, 1645, folha solta, 49 x 38 cm, 34 cm de diâmetro lunar, gravura em cobre com inserções de texto e toponímia detalhada), à luz das trajetórias profundamente desiguais de ambos os homens. Propomos que suas estratégias cartográficas diferentes são compreensíveis através dessas trajetórias divergentes (que, no entanto, se tangenciam), do contexto político e das audiências que tinham em mente para seus mapas.

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A construção da fronteira no centro da América do Sul: as representações espaciais e a territorialização de ambientes coloniais na primeira metade do século XVIII

Tiago Kramer de Oliveira

A primeira metade do século XVIII, especificamente o período entre 1718 e 1750, marcou a conquista e a consolidação da presença portuguesa no centro da América do Sul, em territórios que compõe o atual estado de Mato Grosso, na região centro-oeste do Brasil. Uma série de fatores (como o avanço das atividades sertanistas, as estratégias geopolíticas das coroas ibéricas, o recuo do expansionismo dos colonos espanhóis de Assunção, e finalmente os descobertos auríferos de 1718), permitiram, motivaram e justificaram a migração de sertanistas, mineradores, comerciantes, fazendeiros, senhores de engenho, funcionários régios, oficiais mecânicos, agricultores pobres livres, clérigos, escravos e etc. Em nossas pesquisas temos como objeto de estudo a espacialização das conquistas portuguesas neste território, analisando uma série de tipologias documentais, entre eles a documentação cartográfica, objetivando construir uma “cartografia da conquista” portuguesa no centro da América do Sul. Este pequeno texto é parte deste esforço.

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Representações de animais e plantas em iluminuras de alguns mapas do século XVI

Yuri Tavares Rocha

Os mapas produzidos após o descobrimento do Brasil, além de representarem as partes do Novo Mundo já descobertas, apresentavam, muitas vezes, desenhos referentes a diversos aspectos. Esses desenhos são chamados de iluminuras e representavam aspectos faunísticos, florísticos imaginários, náuticos, geográficos, mercantis, militares e etnográficos. As iluminuras davam valor estético aos mapas e preenchiam vazios de representação, já que inexistiam informações geográficas para serem cartografadas em muitas áreas, principalmente das regiões interiores. Exceto as iluminuras de criaturas imaginárias, as iluminuras eram idealizadas a partir de relatos e desenhos de viajantes e navegantes que tinham visitado as áreas mapeadas, relatos de indígenas levados para a Europa, presença de exemplares de plantas e animais também levados à Europa e, em casos mais raros, presença do próprio cartógrafo nas áreas mapeadas. Consideraram-se, para a presente análise de algumas iluminuras de animais e plantas, principalmente baseada nas características morfológicas das espécies e em suas distribuições geográficas conhecidas, alguns mapas da produção cartográfica do século XVI que representavam o Brasil, elaborados pelas escolas cartográficas portuguesa (Mapa de Cantino, 1502; Carta do Brasil, 1519; Mapa da América, ca. 1532; Planisfério, ca. 1545; Quarta Orbis pars, 1558; Carta das Linhas Costeiras de parte da Europa, África e América, 1558; Carta do Atlântico Sul, 1563; Carta do Brasil, ca. 1565.; e, América do Sul, 1568), francesa (Carta do Nordeste do Brasil e da África Ocidental, ca. 1538; Planisfério de 1546), inglesa (Mapa do atlas The Book of Hydrography, 1542) e italiana (Mapa do Brasil, 1550; Brasil Nuova Tavola, 1573).

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Written by 3siahc

abril 19, 2010 às 3:47 am

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